Tudo na vida é uma constante incerteza, tudo é relativo, passageiro e voluvel.
A única certeza que temos e devemos ter é a da morte, algumas pessoas transcendem a realideade por meio das crenças e dogmas religiosos, que tendem a diminuir e alienar a confirmação biologica de que tudo o que é vivo tem um tempo cronologico pré-determinado pelso fatores ambientais, ou seja, que tudo o que vive morre.
De fato a religião ou a crença num ser supremo que controla a vida de todos é muito reconfortante e serve para amenizar em parte as angustias da incerteza do que existe ou não após essa vida terrena.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
terça-feira, 16 de setembro de 2008
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
A relatividade da vida ou do que pensamos ser a vida!
Na vida vivenciamos um constante impasse de conflitos internos em nossos corpos e mentes, impasses que nos levam ao limite entre a razão e a loucura.
As veze temos que demosntrar sentimentos e reações contrárias aos nossos reais interesses .
Muitas vezes temos que sorrir quando queremos chorar, temos que demosntrar misericórdia quando sentimos o desejo de tripudiar sobre os nossos adversários, temos um imenso prazer no deleite e as vezes órigias da carne, o que dura apenas alguns minutos de orgasmo. Tudo é relativo e abstrato nisso que chamamos de vida. Até mesmo o fato de você está lendo tudo o que foi escrito nesse espaço, é relativo e abstrato.
sábado, 14 de junho de 2008
Alinações do's meu's corpo's
Alienações do's meu's corpo's
Alienações do’s meu’s corpo’s
Sigo tão alienado, pelo não ser ou pelo não entender o porquê de ter que dizer, falar, viver sorrindo. Enfim tendo que satisfazer aos desejos dos outros.
Sigo este caminho sem perceber que a cada dia não sou mais quem um dia pensei que fosse.
Pois neste fosso, é que me encontro mergulhado no breu da lama podre da falsidade, falsidade de minha mente para com o meu corpo.
Refugio-me por trás de um fantoche que fala, diz o que pseudamente pensa que pensa, mas que nada tem na mente ao não ser a esquizofrenia do constante imaginar no vazio do corpo e da alma, na obscuridade animalesca da selvageria (DES) humana.
São tantos os conflitos e as alienações dentro de meu’s corpo’s, que chego a clamar pela boa vinda senhora morte, mas dou-me por conta que nem mesmo ela poderá resolver esse imenso impasse.
Quem de fato sou e por que pensar ? E tendo ser quem nunca fui?
Sigo caminhando neste desfiladeiro beirando o fino fio da navalha da loucura e da sanidade social, que para mim é mera hipocrisia deslavada.
Caminho sentindo um irrisório prazer no deleite da carne, mas logo vejo que nada resolverá os problemas e as minhas alienações do’s meu’s corpo’s.
Apenas espero e busco não demonstrar o meu sofrimento para os que nada tem haver e nem o porquê de sofrerem por minha causa.
Adriano orlando casado marques.
Santana do cariri, 23/04/2008.
Alienações do’s meu’s corpo’s
Sigo tão alienado, pelo não ser ou pelo não entender o porquê de ter que dizer, falar, viver sorrindo. Enfim tendo que satisfazer aos desejos dos outros.
Sigo este caminho sem perceber que a cada dia não sou mais quem um dia pensei que fosse.
Pois neste fosso, é que me encontro mergulhado no breu da lama podre da falsidade, falsidade de minha mente para com o meu corpo.
Refugio-me por trás de um fantoche que fala, diz o que pseudamente pensa que pensa, mas que nada tem na mente ao não ser a esquizofrenia do constante imaginar no vazio do corpo e da alma, na obscuridade animalesca da selvageria (DES) humana.
São tantos os conflitos e as alienações dentro de meu’s corpo’s, que chego a clamar pela boa vinda senhora morte, mas dou-me por conta que nem mesmo ela poderá resolver esse imenso impasse.
Quem de fato sou e por que pensar ? E tendo ser quem nunca fui?
Sigo caminhando neste desfiladeiro beirando o fino fio da navalha da loucura e da sanidade social, que para mim é mera hipocrisia deslavada.
Caminho sentindo um irrisório prazer no deleite da carne, mas logo vejo que nada resolverá os problemas e as minhas alienações do’s meu’s corpo’s.
Apenas espero e busco não demonstrar o meu sofrimento para os que nada tem haver e nem o porquê de sofrerem por minha causa.
Adriano orlando casado marques.
Santana do cariri, 23/04/2008.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Discutindo "A SENHORA MORTE"
Sobre a morte e o morrer
Rubem Alves
O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de
um ser humano? O que e quem a define?
Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver." A vida é tão boa! Não quero ir embora...
Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: "Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?". Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: "Não chore, que eu vou te abraçar..." Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.
Cecília Meireles sentia algo parecido: "E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”
Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. "Minha filha, sei que minha hora está chegando... Mas, que pena! A vida é tão boa...”
Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.
Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: "O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?". O médico olhou-o com olhar severo e disse: "O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?".
Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.
Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.
Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a "reverência pela vida" é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?
Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.
Muitos dos chamados "recursos heróicos" para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da "reverência pela vida". Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: "Liberta-me".
Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: "Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei...". Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.
Dizem as escrituras sagradas: "Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer". A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A "reverência pela vida" exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a "morienterapia", o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a "Pietà" de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.
Texto publicado no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse” do dia 12/10/03. fls 3.
Rubem Alves: tudo sobre o autor e sua obra em "Biografias".
Visitem "A casa de Rubem Alves".
Rubem Alves
O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de
um ser humano? O que e quem a define?
Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver." A vida é tão boa! Não quero ir embora...
Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: "Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?". Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: "Não chore, que eu vou te abraçar..." Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.
Cecília Meireles sentia algo parecido: "E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”
Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. "Minha filha, sei que minha hora está chegando... Mas, que pena! A vida é tão boa...”
Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.
Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: "O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?". O médico olhou-o com olhar severo e disse: "O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?".
Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.
Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.
Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a "reverência pela vida" é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?
Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.
Muitos dos chamados "recursos heróicos" para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da "reverência pela vida". Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: "Liberta-me".
Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: "Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei...". Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.
Dizem as escrituras sagradas: "Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer". A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A "reverência pela vida" exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a "morienterapia", o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a "Pietà" de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.
Texto publicado no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse” do dia 12/10/03. fls 3.
Rubem Alves: tudo sobre o autor e sua obra em "Biografias".
Visitem "A casa de Rubem Alves".
sábado, 31 de maio de 2008
Alienações do's meu's corpo's
Alienações do’s meu’s corpo’s
Sigo tão alienado, pelo não ser ou pelo não entender o porquê de ter que dizer, falar, viver sorrindo. Enfim tendo que satisfazer aos desejos dos outros.
Sigo este caminho sem perceber que a cada dia não sou mais quem um dia pensei que fosse.
Pois neste fosso, é que me encontro mergulhado no breu da lama podre da falsidade, falsidade de minha mente para com o meu corpo.
Refugio-me por trás de um fantoche que fala, diz o que pseudamente pensa que pensa, mas que nada tem na mente ao não ser a esquizofrenia do constante imaginar no vazio do corpo e da alma, na obscuridade animalesca da selvageria (DES) humana.
São tantos os conflitos e as alienações dentro de meu’s corpo’s, que chego a clamar pela boa vinda senhora morte, mas dou-me por conta que nem mesmo ela poderá resolver esse imenso impasse.
Quem de fato sou e por que pensar ? E tendo ser quem nunca fui?
Sigo caminhando neste desfiladeiro beirando o fino fio da navalha da loucura e da sanidade social, que para mim é mera hipocrisia deslavada.
Caminho sentindo um irrisório prazer no deleite da carne, mas logo vejo que nada resolverá os problemas e as minhas alienações do’s meu’s corpo’s.
Apenas espero e busco não demonstrar o meu sofrimento para os que nada tem haver e nem o porquê de sofrerem por minha causa.
Adriano orlando casado marques.
Santana do cariri, 23/04/2008.
Sigo tão alienado, pelo não ser ou pelo não entender o porquê de ter que dizer, falar, viver sorrindo. Enfim tendo que satisfazer aos desejos dos outros.
Sigo este caminho sem perceber que a cada dia não sou mais quem um dia pensei que fosse.
Pois neste fosso, é que me encontro mergulhado no breu da lama podre da falsidade, falsidade de minha mente para com o meu corpo.
Refugio-me por trás de um fantoche que fala, diz o que pseudamente pensa que pensa, mas que nada tem na mente ao não ser a esquizofrenia do constante imaginar no vazio do corpo e da alma, na obscuridade animalesca da selvageria (DES) humana.
São tantos os conflitos e as alienações dentro de meu’s corpo’s, que chego a clamar pela boa vinda senhora morte, mas dou-me por conta que nem mesmo ela poderá resolver esse imenso impasse.
Quem de fato sou e por que pensar ? E tendo ser quem nunca fui?
Sigo caminhando neste desfiladeiro beirando o fino fio da navalha da loucura e da sanidade social, que para mim é mera hipocrisia deslavada.
Caminho sentindo um irrisório prazer no deleite da carne, mas logo vejo que nada resolverá os problemas e as minhas alienações do’s meu’s corpo’s.
Apenas espero e busco não demonstrar o meu sofrimento para os que nada tem haver e nem o porquê de sofrerem por minha causa.
Adriano orlando casado marques.
Santana do cariri, 23/04/2008.
terça-feira, 27 de maio de 2008
Conhecendo a Pós-Modernidade
INTRODUÇÃO
O norte-americano Francis Fukuyama, em 1989, declarou o fim da História, pois para ele a História havia chegado ao seu final e que todos os países do mundo se juntariam ao redor de um sistema político e econômico, chamado de democrático, a qual muitos chamam de neoliberal. O futuro da humanidade teria apenas um caminho, o pensamento único e que a História teria acabado. Segundo Carlos Barros a reação de muitos historiadores foi de hostilidade, pois além de não concordarem com Fukuyama, muitos entenderam que ele exterminou a história com "h" minúsculo, como sucessão de fatos, e não que exterminou com a História universal, com H maiúsculo[1]. Fukuyama reviu o seu trabalho e chegou a desmenti-lo, em 1998, em entrevista ao New York Times, tendo visto as várias crises econômicas que se seguiram nos anos 90.
Não acreditamos que a História tenha acabado, assim como também que a "ciência" história também. Mas que a "ciência" história passa por uma crise teórica atualmente. Esta crise de paradigma ocorre desde a década de 70 e será isto que propomos discutir nesse trabalho. Propomos expor e discutir aqui a crise existente nestas últimas décadas na teoria da história. Propomos discutir o que vem acontecendo com a teoria da história nessa Era Pós-Moderna, e talvez tentar discutir qual será o futuro da teoria da história.
A PÓS-MODERNIDADE
Podemos dizer que uma nova era na sociedade ocidental se iniciou no início dos anos 70. O fim dos movimentos culturais da década de 60, e o início de uma nova era do capitalismo geraram o que podemos chamar da sociedade pós-moderna.
Nicolau Sevcenko
O historiador Nicolau Sevcenko nos diz que nos encontramos nos últimos anos no "loop da montanha russa", que seria a terceira fase da montanha russa, e pode ser considerado "a síncope final e definitiva, o climax da aceleração precipitada, sob cuja intensidade extrema relaxamos nosso impulso de reagir, entregando os pontos entorpecidos, aceitando resignadamente ser conduzidos até o fim pelo maquinismo titânico. Essa etapa representaria o atual período, assinalado por um novo surto dramático de tansformações, a Revolução da Microeletrônica"[2]. Sevcenko ainda acrescenta que o mundo vai se tornado cada vez mais imprevisível, irresistível e incompreensível. Não há, na sociedade uma esperança para o futuro, nada podemos prever.
Serão nos anos 80 que entraremos de vez nessa nova era, a chamada terceira revolução industrial, ou a revolução científico-tecnológica. Será nessa década que começará a surgir a nova concepção política e econômica do mundo, a qual, na década seguinte, a de 90, viveremos o seu ápice: o neoliberalismo. As duas grande figuras políticas que deram início a essa nova concepção do capitalismo foram o ex-presidente norte americano Ronald Reagan e a ex-primeira ministra inglesa Margareth Tatcher, ou "a dama de ferro".
Ronald Reagan
Esses dois políticos iniciaram a política de desmonte do Estado do Bem Estar Social, criado após a Segunda Grande Guerra, e da liberalização total do mercado, sendo este, que aos poucos, determinaria todas as ações dos homens. Esse processo se espalhará por todo o mundo nas décadas de 80 e 90, e, após a queda do comunismo no final dos anos 80 será tratado como "o pensamento único", termo muito contestado. Segundo Fredric Jameson "a emergência da pós-modernidade está estritamente relacionada à emergência desta nova fase do capitalismo avançado, multinacional e de consumo"[3].
Esse novo mundo pós-moderno neoliberal gerou várias crises em vários aspectos de nossa sociedade. Criou-se um novo perfil de sociedade, bem diferente daquele existente nos anos 60; agora nos encontramos em um momento de crise de transcendência, pois assim como na virada do século XIX com o século XX, nos encontramos em um período onde as mudanças tecnológicas são tão rápidas e avassaladoras que perdemos o nosso espírito de transcendência tão discutido por intelectuais do século XX. Nos encontramos novamente em uma era de racionalidade, onde o mais importante é a técnica e o seu tecnicismo, onde o que importa é a competição entre os homens, e onde existe uma ética narcisista, onde o mercado (que parece mais uma entidade sobrenatural) regula todas as ações. Esse período em que vivemos hoje gerou várias crises vindas da crise inicial de transcendência. Uma grande crise ideológica, política e de valores se criou e seguindo à esta uma crise de sociabilidade. Os homens, perderam, principalmente nos grandes centros urbanos (como muitos intelectuais discutem), o sentido de serem um animal social; eles não mais se socializam, ou se socializam de uma forma mínima possível. Podemos dizer que não existe mais alteridade, o homens, e as massas se tornaram indiferentes uns aos outros, gerando uma espécie de niilismo pós moderno.
Desde os anos 70, essa crise ideológica, política, de valores afetaram as ciências humanas em geral. Com a história não foi diferente, tanto no seu âmbito teórico, prático e na sua função social.
A CRISE NA TEORIA E A HISTÓRIA PÓS-MODERNA
Pretendemos, neste trecho do trabalho, explicar a crise por que passa a teoria da história nas últimas três décadas, mostrando as diferentes idéias expostas por vários historiadores e filósofos.
No início dos anos 70 veio a tona uma nova corrente historiográfica, vinda da escola francesa, que se auto denominava "Nova História". Essa Nova História tinha como característica um retorno ao estudo do sujeito, e "se originou associada à Escola de Annales e que, além de lutar por uma história total, opõe-se totalmente ao paradigma tradicional da historiografia"[4]. Essa nova historiografia também foi denominada como "história das mentalidades", onde a história se preocupa com tudo, onde não há paradigmas, e a história é subjetiva, ao contrário da história tradicional. A Nova História trará muitas novas questões ao estudo da história, as quais discutiremos mais adiante, como por exemplo a não necessidade de um paradigma e a questão da narrativa.
Atualmente, a história, sem dúvida alguma, sofre uma crise de paradigmas, não possuímos nenhum "ismo" para seguir. É claro que falamos de uma maneira geral, pois os paradigmas existentes anteriormente não desapareceram por completo e ainda são praticados pela historiografia, a exemplo da história marxista. Elias Saliba nos diz que "nos encontramos meio 'embasbacados' diante do concreto, em estado de empatia constante com a singularidade. Este mundo do imprevisível parece-nos preferível do que nos alojar num sistema ordenado de fixação e explicação do real, num 'ismo' qualquer, numa teoria. Como Tântalos, procuramos uma armação teórica, mas temos medo dela, porque adivinhamos a desilusão posterior e a espécie de sofrimento psicológico daí decorrente - o que só aumenta o clima de desencanto e inutilidade de esforço"[5]. Essa falta de paradigmas para a história talvez exista devido ao desencanto, citado por Saliba, e também devido a desconfiança do futuro que há hoje em dia. Como não possuímos mais uma idéia do futuro, já que ele se tornou imprevisível, a história não é mais escrita sob um paradigma, e sim a história é escrita para o presente. Segundo Josep Fontana "esse caráter imprevisível do futuro tem sido, como já disse, a origem de boa parte de nosso desânimo e do nosso desconcerto"[6]. Essa desconfiança aumentou ainda mais com a queda do comunismo, indo por terra a escrita da história ao estilo marxista, que previa um futuro.
Hayden White
Então a história não possuí mais sentido? Muitos historiadores pós-modernos pensam o contrário: a história, agora, possuí muitos sentidos. Muitos historiadores julgam que não necessitamos de novos paradigmas, não precisamos achar um logo, para podermos sair da crise. Carlos Barros considera essa posição conservadora, pois perpetua somente o presente. Hayden White nos diz que a vida "será mais bem vivida se não tiver um sentido único, mas muitos sentidos diferentes. (...) precisamos de uma história que nos eduque para a descontinuidade de um modo como nunca se fez antes; pois a descontinuidade, a ruptura e o caos são o nosso destino."[7].
Podemos dizer que White está falando que a História, e a sua prática historiográfica, não necessitam de um único sentido, e sim pode possuir vários. A história tem muitas histórias, podendo-se perceber isso nas discussões da Nova História, onde tudo é história. Esse questionamento dos sentidos, demonstra um certo desprezo pela teoria da história, principalmente da questão dos paradigmas, pois não é necessário teoria se são diversos os sentidos das coisas. Muitos historiadores discordam dessa posição e acham que a história, assim como a vida, possuem um sentido e a teoria deve discuti-lo.
Uma questão das mais discutidas dentro da teoria da história pós-moderna é a questão da linguagem e da narrativa. A linguagem é colocada, muitas vezes, no centro das discussões sobre a história e a sua escrita no nosso mundo contemporâneo. Gadamer nos fala que é através da linguagem que nos aproximamos dos fatos e que é ela que nos possibilita interpretar os resultados de nossas observações[8]. A prática da história também é linguagem, e a teoria da história atual a considera de extrema importância, pois é através da linguagem que o historiador retrata as suas observações da História, daí a importância, nos estudos da teoria da história (e não só) da hermenêutica, que busca compreender, através da linguagem, como é que se produz o significado da História dentro da historiografiia..
A narrativa, e o discurso são temas muito discutidos pelos intelectuais da pós-modernidade. Segundo Linda Hutchen "o que a escrita pós-modernista, tanto da história, como da literatura nos ensinou é que tanto história quanto ficção são discursos, que os dois constituem sistemas de significação pelo qual nós fazemos sentido do passado"[9]. Hutchen está nos mostrando que a história, como a literatura se equiparam pois são discursos construídos, ou seja, para ela, a história é construída, através da narrativa e da linguagem pelos seus autores. Para Roland Barthes "o discurso histórico é essencialmente elaboração ideológica, ou para ser mais preciso, imaginário, se é verdade que o imaginário é a linguagem pela qual o enunciante de um discurso (entidade puramente linguística) 'preenche' o sujeito da enunciação (entidade psicológica ou ideológica)"[10]. Roger Chartier percorre caminho parecido dizendo que "a História é um discurso que aciona construções, composições e figuras que são as mesmas da escrita narrativa, portanto da ficção, mas é um discurso que, ao mesmo tempo, produz um corpo de enunciados científicos, se entendermos por isso, com Michel de Certeau 'a possibilidade de estabelecer um conjunto de regras que permitem controlar operações proporcionais à produção de objetos determinados' "[11]. Chartier nos traz algo importante para discutirmos, pois nos mostra que, como muito se discute hoje em dia, a história é uma narrativa, assim como a literatura, e que esta possuí um discurso montado, mas acrescenta que não é uma narrativa qualquer, pois tem as suas regras com um corpo de enunciados, sendo assim uma ciência. Peter Burke comenta sobre a forma narrativa que vem tomando a história hoje em dia, porém diz que a narrativa não pode ser a narrativa tradicional, superficial no acontecimentismo e "para tanto, é necessário densificar a narrativa, e para isso, Burke apresenta quatro soluções encontradas nas obras de outros historiadores: a micro-narrativa, narração da história de populares no tempo e no espaço, observando a presença das estruturas; utilizar várias vozes afim de captar os conflitos e as permanências; redigir de trás para frente, mostrando o peso do passado; e, finalmente, encontrar o relacionamento dialético entre acontecimento e estrutura. Burke aposta na primeira solução, não por preferência, mas por observar que a mesma já está crescendo"[12].
CONCLUSÕES
Neste trecho do trabalho pretendemos tirar algumas conclusões e opiniões sobre a teoria da história na pós-modernidade. Mas, acima de tudo, pensamos que colocaremos mais questões para serem debatidas do que respostas.
Primeiramente, discutiremos se a teoria da história realmente se encontra em uma crise pois não possui um paradigma. Será que precisamos mesmo de um paradigma, ou de paradigmas? Carlos Barros propõe um novo paradigma para a história. Ele nos diz que que o novo paradigma será digital, devido a nova era digital que vivemos, com internet, CD-ROM, etc., e desse modo a história será mais global tanto do ponto vista teórico quanto empírico. O novo paradigma será baseado nas exigências culturais e educativas e nas exigências políticas e sociais que vem ocorrendo ao final da década de 90 e no começo desse novo século. Para ele também é necessária a redefinição da história como ciência. Por fim, pensa que o novo paradigma não pode ser o simples retorno à história tradicional, mas tampouco a fuga para adiante da fragmentação pós-moderna. Ou seja, nos parece que Barros não tem um paradigma. Achamos importante a necessidade da discussão sobre como deve ser a escrita da história, mas achamos que não é necessário achar um paradigma, pois a verdade histórica, em nossa opinião não existe, ela é construída por cada historiador. Na nossa opinião a história possui vários sentidos, tanto para aqueles que a escrevem como para aqueles que a lêem.
A Pós-modernidade gerou uma dúvida na cabeça dos pensadores, a de qual e como será o nosso futuro, gerando crises historiográficas e de paradigmas. O homem possui a necessidade de conhecer o seu futuro, e as últimas décadas mostraram que ele é imprevisível. Mas será que foram somente as últimas décadas? Para nós, o futuro foi, é, e sempre será imprevisível, simplesmente porque ele é futuro. Mas, apesar de imprevisível ele pode ser construído pelas pessoas. a história, seja ela qual for (podendo ser de tudo) tem fundamental importância na construção do imprevisível futuro, pois é do estudo do passado que podemos, talvez, nos entender hoje e construir o futuro. Ao contrário do que disse uma vez Fukuyama, e parafraseando Josep Fontana: "nunca é o fim da história, somente eu sempre nos encontramos no fim de uma história e no começo de outra ou de outras cujo o curso não podemos predizer com nenhum método, por refinado e científico que seja, não só pela complexidade da previsão, como também porque a trajetória do porvir do que entre todos nós queiramos e saibamos fazer".[13]
BIBLIOGRAFIA
BARROS, Carlos. Para um novo paradigma historiográfico. Em http://www.h- debate.com/cbarros/spanish/articulos/nuevo_paradigma/hacia/tempo.htm.
BARTHES, Roland. O discurso da história. 1967.
CHARTIER, Roger. A História hoje: dúvidas, desafios, propostas. 1994.
FONTANA, Josep. História: análise do passado e projeto social. 1982, epílogo.
GADAMER, H. G.. Verité et Méthode, 1960.
HUTCHEN, Linda. "Historicizing the postmodern: the problematizing of history" in A poetics of Postmodernism: history, theory, fiction. New York and London: Routledge, 1988.
JAMESON, Fredric. "Pós-modernidade e sociedade de consumo". In: Revista Novos Estudos CEBRAP. São Paulo, nº12, 1985.
PIGNATARI, Renato. Escrevendo a história. Resenha do livro "A escrita da história" de Peter Burke publicada em www.klepsidra.net.
SALIBA, EliasThomé. "Mentalidades ou história sociocultural; a busca de um eixo teórico para o conhecimento histórico." In: Revista Margem. Nº1. São Paulo: EDUC, 1992.
SEVCENKO, Nicolau. A corrida para o século XXI: no loop da montanha russa. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
WHITE, Hayden. The burden of History, History and Theory. 1966.
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[1] BARROS, Carlos. Para um novo paradigma historiográfico. Em http://www.h-debate.com/cbarros/spanish/articulos/nuevo_paradigma/hacia/tempo.htm.
[2] SEVCENKO, Nicolau. A corrida para o século XXI: no loop da montanha russa. São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p.16.
[3] JAMESON, Fredric. "Pós-modernidade e sociedade de consumo". In: Revista Novos Estudos CEBRAP. São Paulo, nº12, 1985, p. 26.
[4] PIGNATARI, Renato. Escrevendo a história. Resenha do livro "A escrita da história" de Peter Burke publicada em www.klepsidra.net, p. 1.
[5] SALIBA, EliasThomé. "Mentalidades ou história sociocultural; a busca de um eixo teórico para o conhecimento histórico." In: Revista Margem. Nº1. São Paulo: EDUC, 1992, p.30.
[6] FONTANA, Josep. História: análise do passado e projeto social. 1982, epílogo.
[7] WHITE, Hayden. The burden of History, History and Theory. 1966, p.56.
[8] GADAMER, H. G.. Verité et Méthode, 1960, pp. 74-76.
[9] HUTCHEN, Linda. "Historicizing the postmodern: the problematizing of history" in A poetics of Postmodernism: history, theory, fiction. New York and London: Routledge, 1988, p. 89.
[10] BARTHES, Roland. O discurso da história. 1967.
[11] CHARTIER, Roger. A História hoje: dúvidas, desafios, propostas. 1994.
[12] PIGNATARI, Renato. Op. Cit., p. 3.
[13] FONTANA, Josep. Op. Cit., epílogo.
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O norte-americano Francis Fukuyama, em 1989, declarou o fim da História, pois para ele a História havia chegado ao seu final e que todos os países do mundo se juntariam ao redor de um sistema político e econômico, chamado de democrático, a qual muitos chamam de neoliberal. O futuro da humanidade teria apenas um caminho, o pensamento único e que a História teria acabado. Segundo Carlos Barros a reação de muitos historiadores foi de hostilidade, pois além de não concordarem com Fukuyama, muitos entenderam que ele exterminou a história com "h" minúsculo, como sucessão de fatos, e não que exterminou com a História universal, com H maiúsculo[1]. Fukuyama reviu o seu trabalho e chegou a desmenti-lo, em 1998, em entrevista ao New York Times, tendo visto as várias crises econômicas que se seguiram nos anos 90.
Não acreditamos que a História tenha acabado, assim como também que a "ciência" história também. Mas que a "ciência" história passa por uma crise teórica atualmente. Esta crise de paradigma ocorre desde a década de 70 e será isto que propomos discutir nesse trabalho. Propomos expor e discutir aqui a crise existente nestas últimas décadas na teoria da história. Propomos discutir o que vem acontecendo com a teoria da história nessa Era Pós-Moderna, e talvez tentar discutir qual será o futuro da teoria da história.
A PÓS-MODERNIDADE
Podemos dizer que uma nova era na sociedade ocidental se iniciou no início dos anos 70. O fim dos movimentos culturais da década de 60, e o início de uma nova era do capitalismo geraram o que podemos chamar da sociedade pós-moderna.
Nicolau Sevcenko
O historiador Nicolau Sevcenko nos diz que nos encontramos nos últimos anos no "loop da montanha russa", que seria a terceira fase da montanha russa, e pode ser considerado "a síncope final e definitiva, o climax da aceleração precipitada, sob cuja intensidade extrema relaxamos nosso impulso de reagir, entregando os pontos entorpecidos, aceitando resignadamente ser conduzidos até o fim pelo maquinismo titânico. Essa etapa representaria o atual período, assinalado por um novo surto dramático de tansformações, a Revolução da Microeletrônica"[2]. Sevcenko ainda acrescenta que o mundo vai se tornado cada vez mais imprevisível, irresistível e incompreensível. Não há, na sociedade uma esperança para o futuro, nada podemos prever.
Serão nos anos 80 que entraremos de vez nessa nova era, a chamada terceira revolução industrial, ou a revolução científico-tecnológica. Será nessa década que começará a surgir a nova concepção política e econômica do mundo, a qual, na década seguinte, a de 90, viveremos o seu ápice: o neoliberalismo. As duas grande figuras políticas que deram início a essa nova concepção do capitalismo foram o ex-presidente norte americano Ronald Reagan e a ex-primeira ministra inglesa Margareth Tatcher, ou "a dama de ferro".
Ronald Reagan
Esses dois políticos iniciaram a política de desmonte do Estado do Bem Estar Social, criado após a Segunda Grande Guerra, e da liberalização total do mercado, sendo este, que aos poucos, determinaria todas as ações dos homens. Esse processo se espalhará por todo o mundo nas décadas de 80 e 90, e, após a queda do comunismo no final dos anos 80 será tratado como "o pensamento único", termo muito contestado. Segundo Fredric Jameson "a emergência da pós-modernidade está estritamente relacionada à emergência desta nova fase do capitalismo avançado, multinacional e de consumo"[3].
Esse novo mundo pós-moderno neoliberal gerou várias crises em vários aspectos de nossa sociedade. Criou-se um novo perfil de sociedade, bem diferente daquele existente nos anos 60; agora nos encontramos em um momento de crise de transcendência, pois assim como na virada do século XIX com o século XX, nos encontramos em um período onde as mudanças tecnológicas são tão rápidas e avassaladoras que perdemos o nosso espírito de transcendência tão discutido por intelectuais do século XX. Nos encontramos novamente em uma era de racionalidade, onde o mais importante é a técnica e o seu tecnicismo, onde o que importa é a competição entre os homens, e onde existe uma ética narcisista, onde o mercado (que parece mais uma entidade sobrenatural) regula todas as ações. Esse período em que vivemos hoje gerou várias crises vindas da crise inicial de transcendência. Uma grande crise ideológica, política e de valores se criou e seguindo à esta uma crise de sociabilidade. Os homens, perderam, principalmente nos grandes centros urbanos (como muitos intelectuais discutem), o sentido de serem um animal social; eles não mais se socializam, ou se socializam de uma forma mínima possível. Podemos dizer que não existe mais alteridade, o homens, e as massas se tornaram indiferentes uns aos outros, gerando uma espécie de niilismo pós moderno.
Desde os anos 70, essa crise ideológica, política, de valores afetaram as ciências humanas em geral. Com a história não foi diferente, tanto no seu âmbito teórico, prático e na sua função social.
A CRISE NA TEORIA E A HISTÓRIA PÓS-MODERNA
Pretendemos, neste trecho do trabalho, explicar a crise por que passa a teoria da história nas últimas três décadas, mostrando as diferentes idéias expostas por vários historiadores e filósofos.
No início dos anos 70 veio a tona uma nova corrente historiográfica, vinda da escola francesa, que se auto denominava "Nova História". Essa Nova História tinha como característica um retorno ao estudo do sujeito, e "se originou associada à Escola de Annales e que, além de lutar por uma história total, opõe-se totalmente ao paradigma tradicional da historiografia"[4]. Essa nova historiografia também foi denominada como "história das mentalidades", onde a história se preocupa com tudo, onde não há paradigmas, e a história é subjetiva, ao contrário da história tradicional. A Nova História trará muitas novas questões ao estudo da história, as quais discutiremos mais adiante, como por exemplo a não necessidade de um paradigma e a questão da narrativa.
Atualmente, a história, sem dúvida alguma, sofre uma crise de paradigmas, não possuímos nenhum "ismo" para seguir. É claro que falamos de uma maneira geral, pois os paradigmas existentes anteriormente não desapareceram por completo e ainda são praticados pela historiografia, a exemplo da história marxista. Elias Saliba nos diz que "nos encontramos meio 'embasbacados' diante do concreto, em estado de empatia constante com a singularidade. Este mundo do imprevisível parece-nos preferível do que nos alojar num sistema ordenado de fixação e explicação do real, num 'ismo' qualquer, numa teoria. Como Tântalos, procuramos uma armação teórica, mas temos medo dela, porque adivinhamos a desilusão posterior e a espécie de sofrimento psicológico daí decorrente - o que só aumenta o clima de desencanto e inutilidade de esforço"[5]. Essa falta de paradigmas para a história talvez exista devido ao desencanto, citado por Saliba, e também devido a desconfiança do futuro que há hoje em dia. Como não possuímos mais uma idéia do futuro, já que ele se tornou imprevisível, a história não é mais escrita sob um paradigma, e sim a história é escrita para o presente. Segundo Josep Fontana "esse caráter imprevisível do futuro tem sido, como já disse, a origem de boa parte de nosso desânimo e do nosso desconcerto"[6]. Essa desconfiança aumentou ainda mais com a queda do comunismo, indo por terra a escrita da história ao estilo marxista, que previa um futuro.
Hayden White
Então a história não possuí mais sentido? Muitos historiadores pós-modernos pensam o contrário: a história, agora, possuí muitos sentidos. Muitos historiadores julgam que não necessitamos de novos paradigmas, não precisamos achar um logo, para podermos sair da crise. Carlos Barros considera essa posição conservadora, pois perpetua somente o presente. Hayden White nos diz que a vida "será mais bem vivida se não tiver um sentido único, mas muitos sentidos diferentes. (...) precisamos de uma história que nos eduque para a descontinuidade de um modo como nunca se fez antes; pois a descontinuidade, a ruptura e o caos são o nosso destino."[7].
Podemos dizer que White está falando que a História, e a sua prática historiográfica, não necessitam de um único sentido, e sim pode possuir vários. A história tem muitas histórias, podendo-se perceber isso nas discussões da Nova História, onde tudo é história. Esse questionamento dos sentidos, demonstra um certo desprezo pela teoria da história, principalmente da questão dos paradigmas, pois não é necessário teoria se são diversos os sentidos das coisas. Muitos historiadores discordam dessa posição e acham que a história, assim como a vida, possuem um sentido e a teoria deve discuti-lo.
Uma questão das mais discutidas dentro da teoria da história pós-moderna é a questão da linguagem e da narrativa. A linguagem é colocada, muitas vezes, no centro das discussões sobre a história e a sua escrita no nosso mundo contemporâneo. Gadamer nos fala que é através da linguagem que nos aproximamos dos fatos e que é ela que nos possibilita interpretar os resultados de nossas observações[8]. A prática da história também é linguagem, e a teoria da história atual a considera de extrema importância, pois é através da linguagem que o historiador retrata as suas observações da História, daí a importância, nos estudos da teoria da história (e não só) da hermenêutica, que busca compreender, através da linguagem, como é que se produz o significado da História dentro da historiografiia..
A narrativa, e o discurso são temas muito discutidos pelos intelectuais da pós-modernidade. Segundo Linda Hutchen "o que a escrita pós-modernista, tanto da história, como da literatura nos ensinou é que tanto história quanto ficção são discursos, que os dois constituem sistemas de significação pelo qual nós fazemos sentido do passado"[9]. Hutchen está nos mostrando que a história, como a literatura se equiparam pois são discursos construídos, ou seja, para ela, a história é construída, através da narrativa e da linguagem pelos seus autores. Para Roland Barthes "o discurso histórico é essencialmente elaboração ideológica, ou para ser mais preciso, imaginário, se é verdade que o imaginário é a linguagem pela qual o enunciante de um discurso (entidade puramente linguística) 'preenche' o sujeito da enunciação (entidade psicológica ou ideológica)"[10]. Roger Chartier percorre caminho parecido dizendo que "a História é um discurso que aciona construções, composições e figuras que são as mesmas da escrita narrativa, portanto da ficção, mas é um discurso que, ao mesmo tempo, produz um corpo de enunciados científicos, se entendermos por isso, com Michel de Certeau 'a possibilidade de estabelecer um conjunto de regras que permitem controlar operações proporcionais à produção de objetos determinados' "[11]. Chartier nos traz algo importante para discutirmos, pois nos mostra que, como muito se discute hoje em dia, a história é uma narrativa, assim como a literatura, e que esta possuí um discurso montado, mas acrescenta que não é uma narrativa qualquer, pois tem as suas regras com um corpo de enunciados, sendo assim uma ciência. Peter Burke comenta sobre a forma narrativa que vem tomando a história hoje em dia, porém diz que a narrativa não pode ser a narrativa tradicional, superficial no acontecimentismo e "para tanto, é necessário densificar a narrativa, e para isso, Burke apresenta quatro soluções encontradas nas obras de outros historiadores: a micro-narrativa, narração da história de populares no tempo e no espaço, observando a presença das estruturas; utilizar várias vozes afim de captar os conflitos e as permanências; redigir de trás para frente, mostrando o peso do passado; e, finalmente, encontrar o relacionamento dialético entre acontecimento e estrutura. Burke aposta na primeira solução, não por preferência, mas por observar que a mesma já está crescendo"[12].
CONCLUSÕES
Neste trecho do trabalho pretendemos tirar algumas conclusões e opiniões sobre a teoria da história na pós-modernidade. Mas, acima de tudo, pensamos que colocaremos mais questões para serem debatidas do que respostas.
Primeiramente, discutiremos se a teoria da história realmente se encontra em uma crise pois não possui um paradigma. Será que precisamos mesmo de um paradigma, ou de paradigmas? Carlos Barros propõe um novo paradigma para a história. Ele nos diz que que o novo paradigma será digital, devido a nova era digital que vivemos, com internet, CD-ROM, etc., e desse modo a história será mais global tanto do ponto vista teórico quanto empírico. O novo paradigma será baseado nas exigências culturais e educativas e nas exigências políticas e sociais que vem ocorrendo ao final da década de 90 e no começo desse novo século. Para ele também é necessária a redefinição da história como ciência. Por fim, pensa que o novo paradigma não pode ser o simples retorno à história tradicional, mas tampouco a fuga para adiante da fragmentação pós-moderna. Ou seja, nos parece que Barros não tem um paradigma. Achamos importante a necessidade da discussão sobre como deve ser a escrita da história, mas achamos que não é necessário achar um paradigma, pois a verdade histórica, em nossa opinião não existe, ela é construída por cada historiador. Na nossa opinião a história possui vários sentidos, tanto para aqueles que a escrevem como para aqueles que a lêem.
A Pós-modernidade gerou uma dúvida na cabeça dos pensadores, a de qual e como será o nosso futuro, gerando crises historiográficas e de paradigmas. O homem possui a necessidade de conhecer o seu futuro, e as últimas décadas mostraram que ele é imprevisível. Mas será que foram somente as últimas décadas? Para nós, o futuro foi, é, e sempre será imprevisível, simplesmente porque ele é futuro. Mas, apesar de imprevisível ele pode ser construído pelas pessoas. a história, seja ela qual for (podendo ser de tudo) tem fundamental importância na construção do imprevisível futuro, pois é do estudo do passado que podemos, talvez, nos entender hoje e construir o futuro. Ao contrário do que disse uma vez Fukuyama, e parafraseando Josep Fontana: "nunca é o fim da história, somente eu sempre nos encontramos no fim de uma história e no começo de outra ou de outras cujo o curso não podemos predizer com nenhum método, por refinado e científico que seja, não só pela complexidade da previsão, como também porque a trajetória do porvir do que entre todos nós queiramos e saibamos fazer".[13]
BIBLIOGRAFIA
BARROS, Carlos. Para um novo paradigma historiográfico. Em http://www.h- debate.com/cbarros/spanish/articulos/nuevo_paradigma/hacia/tempo.htm.
BARTHES, Roland. O discurso da história. 1967.
CHARTIER, Roger. A História hoje: dúvidas, desafios, propostas. 1994.
FONTANA, Josep. História: análise do passado e projeto social. 1982, epílogo.
GADAMER, H. G.. Verité et Méthode, 1960.
HUTCHEN, Linda. "Historicizing the postmodern: the problematizing of history" in A poetics of Postmodernism: history, theory, fiction. New York and London: Routledge, 1988.
JAMESON, Fredric. "Pós-modernidade e sociedade de consumo". In: Revista Novos Estudos CEBRAP. São Paulo, nº12, 1985.
PIGNATARI, Renato. Escrevendo a história. Resenha do livro "A escrita da história" de Peter Burke publicada em www.klepsidra.net.
SALIBA, EliasThomé. "Mentalidades ou história sociocultural; a busca de um eixo teórico para o conhecimento histórico." In: Revista Margem. Nº1. São Paulo: EDUC, 1992.
SEVCENKO, Nicolau. A corrida para o século XXI: no loop da montanha russa. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
WHITE, Hayden. The burden of History, History and Theory. 1966.
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[1] BARROS, Carlos. Para um novo paradigma historiográfico. Em http://www.h-debate.com/cbarros/spanish/articulos/nuevo_paradigma/hacia/tempo.htm.
[2] SEVCENKO, Nicolau. A corrida para o século XXI: no loop da montanha russa. São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p.16.
[3] JAMESON, Fredric. "Pós-modernidade e sociedade de consumo". In: Revista Novos Estudos CEBRAP. São Paulo, nº12, 1985, p. 26.
[4] PIGNATARI, Renato. Escrevendo a história. Resenha do livro "A escrita da história" de Peter Burke publicada em www.klepsidra.net, p. 1.
[5] SALIBA, EliasThomé. "Mentalidades ou história sociocultural; a busca de um eixo teórico para o conhecimento histórico." In: Revista Margem. Nº1. São Paulo: EDUC, 1992, p.30.
[6] FONTANA, Josep. História: análise do passado e projeto social. 1982, epílogo.
[7] WHITE, Hayden. The burden of History, History and Theory. 1966, p.56.
[8] GADAMER, H. G.. Verité et Méthode, 1960, pp. 74-76.
[9] HUTCHEN, Linda. "Historicizing the postmodern: the problematizing of history" in A poetics of Postmodernism: history, theory, fiction. New York and London: Routledge, 1988, p. 89.
[10] BARTHES, Roland. O discurso da história. 1967.
[11] CHARTIER, Roger. A História hoje: dúvidas, desafios, propostas. 1994.
[12] PIGNATARI, Renato. Op. Cit., p. 3.
[13] FONTANA, Josep. Op. Cit., epílogo.
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sexta-feira, 23 de maio de 2008
Poesia do Poeta Maior: Augusto dos Anjos

Vozes da Morte
"Agora, sim! Vamos morrer, reunidos
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!
Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!
Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,
Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte, inda teremos filhos!”
"Agora, sim! Vamos morrer, reunidos
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!
Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!
Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,
Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte, inda teremos filhos!”
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